Vamos falar de calçadas e qualidade de vida em Diadema?

Assim como em quase todas as cidades brasileiras, as calçadas em Diadema são pouco discutidas e tem baixíssima importância na construção da Cidade.

O modelo de construção de cidades no Brasil sempre priorizou o carro, colocando os espaços de circulação de veículos acima dos espaços para pedestres e em Diadema não é diferente.

Se você andar a pé por todos os bairros na cidade, encontrará dificuldades para se locomover. Em alguns pontos as calçadas são tão pequenas que impedem as pessoas de transitar com segurança, obrigando os pedestres a disputar espaço com os carros no meio da rua. Diadema é uma cidade que tem cada vez mais idosos, além de uma enorme quantidade de crianças e diversas pessoas com deficiência que precisam de espaços definidos e com qualidade e com acessibilidade para poder se locomover entre as atividades diárias.

Por isso é necessário que o Poder Público inicie uma amplo debate sobre os espaços de circulação na cidade, olhando para o futuro de Diadema e para a qualidade de vida na cidade. De 1980 até aqui, Diadema teve inúmeras conquistas nas políticas urbanas e de habitação, trazendo diversos benefícios para a cidade, ainda existem muitos desafios a serem encarados na saúde, segurança, educação, lazer e cultura, mas esses desafios não podem impedir que a cidade discuta outros temas necessários para a construção de uma cidade mais justa, democrática e com qualidade de vida para a população.

Cidades como São Paulo e Nova York promoveram o debate sobre as calçadas e os espaços públicos, nos dois casos foram encontradas soluções práticas, rápidas e baratas para garantir que a população tivesse espaços para se locomover com mais qualidade, sem ter que disputar com os carros no meio da rua. Em Nova York por exemplo, os espaços que antes serviam apenas para sinalizar e orientar o trânsito, foram transformados em espaços para pessoas, a iniciativa transformou diversos pontos da cidade e possibilitou um novo jeito das pessoas utilizarem espaços que antes eram considerados abandonados ou sem função.

Na cidade de São Paulo a prefeitura iniciou em 2013 uma intensa discussão sobre o assunto, o que resultou na implantação de calçadas alternativas, substituindo alguns espaço que antes eram reservados aos carros, por espaços para pessoas. Inaugurada na semana passada a Rua Joel Carlos Borges, no Brooklin, Zona Sul de São Paulo é uma exemplo disso, as calçadas, antes estreitas e em más condições, ganharam mais 3,5 metros de largura (1,5 m de um lado e 2 m do outro). Para isso, a área de estacionamento foi sinalizada em verde, se tornando uma extensão da calçada, permitindo que as pessoas possam circular com mais segurança e qualidade.

                Foto: Urb-I

A proposta é que a rua se torne uma rua completa, com espaços para carros, pedestres, arborização, mobiliário urbano, sinalização e o principal, qualidade.Projeto e imagem: Urb-I

Pensando nisso deixo uma pergunta e se Diadema seguisse a mesma linha e adotasse os exemplos de São Paulo e Nova York?

Ruas com mais espaços para a circulação de pessoas promovem e impulsionam o comércio local, as pessoas param, olham, entram nas lojas, as ruas passam a ter mais vida, além da possibilidade de termos mais árvores na cidade, já que os novos espaços para circulação de pessoas, poderiam abrigar árvores, floreiras e vasos, fazendo da cidade um lugar mais agradável e com qualidade de vida.

A Rua Santa Cruz no Jardim Canhema é uma dessas áreas onde o pedestre tem que disputar o espaço com carros e motos que transitam em alta velocidade principalmente aos finais de semana. Com a ampliação do espaço para pessoas sem a necessidade de quebra-quebra e sem grandes gastos de verba, a rua poderia se tornar um local mais agradável e seguro para os pedestres, sem contar na qualidade que isso traria para os moradores do local.

E ai, o que você acha?

 

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Felipe Garcia é morador de Diadema há 26 anos, estudante bolsista pelo Prouni no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente está como presidente do Instituto de Regularização Fundiária Urbana e Popular.